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Bancos deixam de cobrar taxas sobre cartão de crédito para atrair clientes mais jovens

Maior interesse, porém, está no público mais jovem, que demanda carteiras de crédito específicas e com mais vantagens financeiras

Na briga para conquistar novos correntistas ou tornar seus clientes fiéis, os bancos tradicionais de varejo têm ampliado a oferta de crédito voltada para diferentes faixas etárias. O maior interesse, porém, está no público mais jovem, que demanda carteiras de crédito específicas e com mais vantagens financeiras. Por isso, as instituições têm aumentado a quantidade de benefícios ofertados.

Nos últimos meses, bancos tradicionais anunciaram novos produtos para atrair essa clientela, tentando competir com os novos bancos virtuais, que oferecem empréstimos de menor risco com taxas mais baixas e, no caso dos cartões de crédito, sem a famosa anuidade, que tanto pesa no bolso.

O Banco do Brasil (BB), por exemplo, lançou um novo produto — o Ourocard Fácil. É um cartão internacional que pode dar 100% de isenção na anuidade, desde que o cliente gaste, no mínimo, R$ 100 por mês na função crédito.

Segundo o BB, “o cartão de crédito sem anuidade é voltado para consumidores que precisam de um cartão para atender às suas necessidades de crédito e não utilizam benefícios como programas de recompensas (como aqueles que permitem transformar pontos em milhas aéreas)”.

O Itaú lançou o cartão digital Credicard Zero para compras internacionais sem anuidade. A versão nacional, lançada há seis meses, teve mais de 1,8 milhão de adesões. O lançamento de produtos sem anuidade é uma ofensiva contra o Nubank, que tem cartões digitais sem custo anual para os clientes.

O limite de crédito oferecido inicialmente pelo Itaú é de mil reais para compras e saques. As retiradas feitas no Brasil têm um custo de R$ 10 por transação. No exterior, o valor é de R$ 20. Além de isenção da taxa anual, os clientes têm descontos de até R$ 125 por compras e serviços de Casas Bahia, Extra, Ponto Frio, Natura, Netshoes, Credicard Hall e Uber.

Na mesma linha, em busca dos clientes dos bancos virtuais, a Caixa Econômica Federal informou que estuda a possibilidade de lançar um cartão de crédito sem anuidade, mas não deu detalhes a respeito.

Produtos ampliam portfólio

Em paralelo, o Santander renovou seu portfólio de cartões com duas novidades. O cartão Play, oferecido ao público universitário, permite que o usuário faça a gestão de seu próprio limite de crédito, inclusive ampliando sua possibilidade de gastos, desde que atenda a algumas regras que comprovem sua educação financeira. Já a modalidade 1|2|3 reconhece, com diferentes bonificações, o uso virtual de um cartão: cada dólar gasto em lojas físicas corresponde a um Bônus Esfera. Se a compra for feita em um site (o que inclui serviços como Uber, Spotify e Netflix), o dólar passa a valer dois bônus; nas operações internacionais, físicas ou on-line, são três bonificações.

— Esses lançamentos consolidam nossa nova estratégia em cartões, com soluções de pagamento alinhadas ao perfil e ao estilo de cada cliente, o que nos permitirá avançar ainda mais no segmento — disse Rodrigo Cury, diretor de Cartões do Santander.

O Bradesco, dono do banco virtual Next — instituição similar ao Nubank —, oferece um cartão de débito que também pode ter a função crédito, caso o usuário seja aprovado em uma análise sobre suas condições de pagamento. Além disso, o Next oferece conta-poupança e limite de cheque especial compartilhado com empréstimo e cartão de crédito, com liberação na hora, na conta-corrente. O cliente tem até quatro anos para pagar a dívida.

Transações virtuais há mais de 2 anos

Aos 27 anos, a jornalista Bruna Lordello tem contas-correntes em dois bancos, mas, para ela, ir a uma agência física é coisa do passado. As inovações tecnológicas e os serviços oferecidos pelos bancos por meio de aplicativos — e agora de redes sociais — provocaram uma revolução na forma de relacionamento com as instituições financeiras.

— O bairro onde trabalho quase não tem agências dos bancos onde tenho contas. Além disso, a falta de tempo fez com que eu mudasse meus hábitos. Há quase dois anos, não vou a uma agência. Resolvo tudo pelos aplicativos. Isso traz uma facilidade incrível, e os bancos têm aprimorado cada vez mais o relacionamento virtual com seus clientes — declarou.

Tudo pode ser feito por meio de um celular

Especialistas alertam que, para ter um cartão de crédito, não é preciso ser correntista de algum banco. Muitas pessoas não sabem que é possível ter o cartão de uma determinada instituição financeira mesmo sem ter conta-corrente. Mas é preciso sempre comparar os serviços oferecidos e checar se estes se enquadram em seu perfil de consumo.

Vale destacar que, com as novas tecnologias disponíveis, inclusive nos bancos mais tradicionais, é possível abrir uma conta-corrente ou uma caderneta de poupança sem sair de casa, utilizando apenas um aplicativo de smartphone, com documentos e fotos enviados pelo próprio app.

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