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Estudo liga TDAH em adolescentes ao uso de mídia digital

Pesquisa sugere que exposição contínua a conteúdo digital eleva a probabilidade de desenvolver sintomas do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade

Um novo estudo, publicado na revista científica JAMA, sugeriu que o uso frequente da mídia digital aumenta a probabilidade de os adolescentes desenvolverem sintomas do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

“Apesar dos resultados positivos dos testes, é preciso fazer mais pesquisas para descobrir se outros fatores, além da exposição contínua ao conteúdo digital, como redes sociais, mensagens de texto, streaming de vídeos, games etc., influenciam o desenvolvimento do TDAH”, disse Adam Leventhal, psicólogo e professor de medicina preventiva na Universidade do Sul da Califórnia, e o principal autor do estudo.

O transtorno, que é mais comum em meninos do que em meninas, afeta em torno de 5% de crianças nos Estados Unidos, segundo o Centers for Disease and Prevention. Os tratamentos incluem terapia comportamental, medicação e um ambiente escolar mais preocupado com a interação entre os alunos e professores.

A pesquisa avaliou a evolução de 2.587 alunos de 15 e 16 anos de dez escolas de ensino médio em Los Angeles, Califórnia, sem sintomas de TDAH. Durante o período de testes os adolescentes foram submetidos ao uso mais frequente da mídia digital.

Os alunos participaram do estudo no período de 2014 a2016. Ao longo desse tempo, os jovens preencheram formulários de avaliação de nove sintomas de déficit de atenção e de hiperatividade.

Os adolescentes também foram questionados sobre a frequência de uso de 14 plataformas digitais. Após a análise das respostas, os pesquisadores concluíram que 9,5% dos jovens com alto uso de sete plataformas digitais apresentaram sintomas de TDAH, assim como 10,5% dos que usavam com frequência as 14 plataformas.

Os pesquisadores descreveram a associação entre a frequência do uso da mídia digital e os sintomas subsequentes de TDAH como “estatisticamente significativa, porém modesta em termos de abrangência”.

O estudo restringiu-se não só a uma idade específica dos alunos, como também teve uma limitação geográfica. Além disso, a pesquisa abrangeu apenas o contexto da relação entre o uso da mídia digital e os sintomas do TDAH. É preciso fazer mais pesquisas para investigar se a genética ou os fatores ambientais também influenciam o desenvolvimento de sintomas do TDAH.

Segundo Dimitri Christakis, pediatra e diretor do Center for Childhood Health, Behaviour and Development do Seattle Children’s Research Institute, o estudo da relação entre o uso da mídia digital e o TDAH foi “a melhor pesquisa realizada até o momento”.

O estudo foi interessante, mas há três críticas a fazer, escreveu Andy Przybylski, professor adjunto e diretor de pesquisa do Oxford Internet Institute da Universidade de Oxford, no Science Media Center.

“Em primeiro lugar, embora as análises sejam bem feitas, elas mostram uma relação empírica entre o uso da mídia digital e os sintomas do TDAH. Além disso, o estudo tem um caráter subjetivo porque se baseia em respostas dos adolescentes aos questionários fornecidos pelos pesquisadores. Por fim, é uma pesquisa exploratória, com o objetivo de dar uma visão geral do tema, sem a confirmação de hipóteses”.

A médica pediatra e professora assistente da Medical School da Universidade de Michigan em Ann Arbor, Jenny Radesky, escreveu que, “segundo as recomendações da American Academy of Pediatrics divulgadas em 2016, os pais devem dar prioridade a atividades que promovam o bem-estar e o equilíbrio emocional do adolescente, como qualidade do sono, atividade física, deveres de casa em ambientes tranquilos e interações positivas com a família e amigos”.

Fonte: Opinião e Notícia

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