Em uma carta lida na manhã de ontem pelo líder dos Democratas, ACM Neto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), oficializou sua desistência de concorrer à Presidência da República. Maia está nos Estados Unidos para não se tornar inelegível durante a ausência de Michel Temer (MDB). ACM leu a carta durante o início da coletiva organizada pelos partidos do Centrão para oficializar o apoio do bloco à candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB). “Agradeço apoio na tentativa de consolidar minha candidatura à Presidência”, disse Maia na carta. “A biografia de Alckmin saberá honrar projetos e anseios que nossas legendas reúnem”, emendou. “Arquivo momentaneamente a pretensão presidencial”, afirmou. Por fim, Maia afirmou que será candidato à reeleição como deputado federal.
“A decisão conjunta que tomamos, hoje anunciada formalmente para o País, foi a de unir nossos esforços e nossos ideais em torno do nome de Geraldo Alckmin, do PSDB. A biografia de Alckmin saberá honrar os projetos, os anseios, a experiência e o espírito público e republicano que nossas legendas reúnem como patrimônio político de rara força e coesão no Brasil. A oportunidade que recebi como delegação de vocês permitiu-me voltar a viajar pelas cinco regiões brasileiras, algo que fiz com frequência e com prazer quando fui presidente do DEM, e constatar de perto avanços e retrocessos em todo o nosso território”, prosseguiu.
“Voltei ao sertão nordestino, estive na cidade natal de minha família, a paraibana Catolé do Rocha. Vi a esperança no olhar forte dos sertanejos. Regressei ao Amazonas, a Manaus, onde testemunhei as possibilidades e os desafios do crescimento econômico com sustentabilidade. Constatei, nas planícies intermináveis do Centro Oeste, o imenso retorno que o agronegócio vem dando à nossa economia e ao nosso desenvolvimento. E é claro que rodar o Brasil também fez com que se tornasse mais aguda a minha visão dos gargalos que travam o país, da miséria que nos envergonha e da insegurança que nos amedronta e nos atormenta”.
Maia disse ainda que “a logística do Brasil é precária e reduz nossa competitividade industrial, além de nos impor perdas enormes no setor agropecuário. A violência se espalhou de forma epidêmica pelas metrópoles, pelas cidades médias e até mesmo no interior antes tão pacato. Em muitos Estados o crime organizado parece vencer o Estado. A desigualdade social é quase uma afronta pessoal numa Nação onde 13,4 milhões de pessoas vivem em situação de extrema pobreza e onde metade dos trabalhadores ainda recebem menos do que um salário mínimo por mês. É triste, é revoltante, constatar que a mortalidade infantil voltou a crescer entre nós, e que doenças outrora erradicadas voltaram a ameaçar o contágio da população brasileira – como o sarampo e a pólio, por exemplo.”
Fonte: Tribuna da Bahia